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    Saúde

    O Ciclo Circadiano e o bem viver no século XXI

    Renata Vilenky
    3 Fev 2026
    12 min de leitura
    O Ciclo Circadiano e o bem viver no século XXI

    Em tempos complexos como os nossos, onde existe preocupação com a política fiscal do nosso país, com as questões geopolíticas mundiais que afetam do preço da gasolina a alimentação que vai a nossa mesa e uma enorme pressão com as mudanças tecnológicas que trazem comportamentos preocupantes em todas as gerações, refletindo inclusive na qualidade dos relacionamentos, precisamos escolher, inicialmente, nos cuidar para navegar este mar revolto chamado planeta Terra.


    E o cuidado começa em um processo simples, contado por nossas avós, pediatras da família ou até amigos ativistas da saúde: "Cuide do seu ciclo circadiano". Mas o que é o ciclo circadiano?


    O ciclo circadiano é o nosso relógio interno. Ele se localiza no nosso cérebro, em uma área chamada núcleo supraquiasmático, dentro do hipotálamo, aquela parte do cérebro responsável por reagir aos nossos medos.


    E vejam que interessante: este relógio funciona a partir da luz que entra pelos nossos olhos, organizando nossos órgãos de acordo com a luminosidade que recebemos, portanto, a sincronização do funcionamento do fígado, coração, intestino, músculos e sistema imunológico, depende do que o nosso relógio mestre nos informa.


    Na medicina Chinesa aprendemos que cada órgão tem seu horário potencial de funcionamento, por exemplo, nosso fígado governa nosso organismo entre 1 e 3 horas da manhã, nosso rim entre 17 e 19 horas, nosso coração entre 11 e 13 horas, portanto cada relógio de cada órgão sofre impacto do relógio mestre no momento que compreende o tamanho da luz que somos submetidos. O natural durante o dia é quantidade maior de luz do que a noite, portanto trocar os horários do dormir e acordar tem necessariamente um impacto no funcionamento do nosso organismo.


    É tão importante respeitar o ciclo circadiano que em 2017 o prêmio nobel de medicina foi entregue a três cientistas americanos por suas descobertas que provaram a sincronização do relógio biológico com a rotação da terra explicando a vida dos seres vivos (plantas, animais e humanos).


    Para entendermos a importância de cuidar do sono e dos preparativos para termos qualidade ao dormir, vale a pena entender o impacto do ciclo circadiano desregulado, porque ele controla:


    Sono:

    • horário de sentir sono
    • profundidade do sono
    • despertar com energia

    Hormônios:

    • melatonina (sono) → sobe à noite
    • cortisol (energia/alerta) → sobe pela manhã
    • insulina → varia conforme horário do dia
    • hormônios sexuais, tireoidianos, crescimento

    Metabolismo:

    • como você processa açúcar e gordura
    • quando o corpo armazena ou queima energia

    Cognição e humor:

    • atenção
    • memória
    • tomada de decisão
    • estabilidade emocional

    Imunidade:

    • resposta a infecções
    • inflamação

    Portanto precisamos começar a entender a profundidade do cuidar da saúde, porque nosso corpo pode se acostumar com uma vida desregulada, mas o preço que a nossa saúde pagará é muito alto, haja vista, as possíveis consequências do ciclo circadiano desregulado como rotina:


    • insônia e cansaço crônico;
    • ganho de peso e diabetes;
    • hipertensão e doenças cardíacas;
    • queda de imunidade;
    • ansiedade e depressão;
    • pior desempenho cognitivo;
    • envelhecimento precoce.

    E para não parecer que estamos em consultas médicas, vamos falar do que vem acontecendo nesta transição de comportamentos, em que, todos acham normal ficar até tarde no celular, não praticar algum exercício físico, viver de fast food que impacta a digestão, entre outras coisas, e afeta diretamente a qualidade do sono com refluxos, insônia e outros incômodos.


    Segundo a Oxford Academy, trabalho por turnos, sono irregular e refeições fora de hora está diretamente associado a maior risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC. E esta população em trabalho por turnos também vivencia maior risco de doença cardíaca e derrame por causa da desregulação dos ritmos biológicos que afetam pressão arterial, metabolismo do açúcar e inflamação.


    Atualmente entre 10 e 30 por cento da população mundial, em países industrializados, trabalha em turnos, aumentando o risco de doenças cardiovasculares.


    Além do coração, outro problema de saúde muito impactado pela irregularidade do ciclo circadiano é a diabetes tipo 2, segundo a MDPI, uma das maiores editoras cientificas dos Estados Unidos, o desalinhamento circadiano prejudica a tolerância à glicose e a sensibilidade à insulina, aumentando o risco de diabetes tipo 2 e síndrome metabólica. Inclusive, muitas pessoas com sono irregular recorrente ou trabalho noturno, já comprovam a resistência à insulina e obesidade, ambos fatores de risco principais para diabetes.


    A revista digital Viva bem do uol publicou um artigo em agosto de 2025, onde relatava um estudo populacional apresentado na revista Health Data Science sobre o impacto da irregularidade do sono no aumento de risco em dezenas de doenças incluindo metabólicas e circulatórias.


    Segundo o ministério da saúde no Brasil, estudos estimam que doenças cardiovasculares (DCV) podem custar dezenas de bilhões de reais ao sistema de saúde, incluindo hospitalizações, atendimentos ambulatoriais e perda de produtividade, e nos EUA, as DCVs estão entre as principais causas de mortalidade e custos de saúde, representando um grande impacto econômico tanto em tratamento quanto em perda de produtividade.


    Nos EUA, a obesidade está associada a estimativas de aproximadamente US$ 117 bilhões por ano em custos de saúde diretos e indiretos (incluindo diabetes, hipertensão, doenças cardíacas).


    Já na União Europeia, a obesidade e condições relacionadas representam cerca de 10 a 3% das mortes e até dezenas de bilhões de euros em custos diretos e indiretos.


    Em termos gerais, os estudos globais estimam que distúrbios do sono e condições relacionadas (por exemplo, apnéia não diagnosticada, insônia) podem custar centenas de bilhões de dólares por ano quando se consideram os custos diretos de saúde e indiretos de produtividade perdida.


    Portanto, eu sei que é muito importante estudarmos, nos atualizarmos e nos mantermos atraentes ao mercado de trabalho, mas este esforço direcionado para o trabalho de nada valerá, se antes disto não cuidarmos da nossa saúde e da nossa vida com qualidade.


    Avalie suas escolhas e tome as melhores decisões para se manter vivo e saudável. A solução está nas suas mãos e depende das suas escolhas!


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