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    Como construir a minha imagem pessoal?

    Julie Maciel, Denise Ribeiro
    13 Ago 2025
    5 min

    Construir imagem pessoal não é criar um personagem


    Quando a gente fala em imagem pessoal, é comum pensar em roupa, foto, feed bonito ou presença nas redes sociais. Mas, na conversa da Olhi com a consultora de imagem Denise Ribeiro, ficou claro que esse tema vai muito além da aparência — e começa num lugar bem mais sensível: quem você é e o que você está tentando sustentar ao se mostrar para o mundo.


    Hoje, especialmente para mulheres que trabalham com serviços, a presença digital virou quase obrigatória. Como a Denise lembra, "a imagem acaba chegando antes da nossa voz". Antes de ouvir o que você pensa, alguém já formou uma impressão a partir de uma foto, de uma cor, de um gesto.


    Isso não é novo. A leitura da imagem sempre existiu — no consultório, no atendimento presencial, no primeiro encontro. O que muda é a velocidade e a pressão: agora tudo acontece em segundos, na tela.


    O cansaço de tentar parecer profissional


    Muitas mulheres chegam até a consultoria com a sensação de que precisam "se encaixar". A Denise comenta que é comum aparecerem referências prontas, poses copiadas, ideias de como "uma profissional deve parecer". Quase sempre, isso vem acompanhado de uma pergunta silenciosa: "Será que assim eu vou ser levada a sério?"


    Um exemplo aparece várias vezes na conversa: o blazer preto, usado como um símbolo automático de profissionalismo. Não porque faz sentido para todas, mas porque virou padrão.


    A Denise problematiza isso quando diz que, muitas vezes, a gente não para para se perguntar:


    "Isso tem a ver comigo?"


    "O que eu estou tentando transmitir com essa imagem?"


    Quando a imagem vira esforço para parecer algo que não somos, ela deixa de comunicar e começa a cansar.


    Integridade: não se abandonar para se mostrar


    Um dos conceitos mais importantes que a Denise traz é o de integridade. Para ela, integridade é ser inteira — não dividir quem você é em partes desconectadas só para caber em um formato.


    Ela diz algo muito simples e muito potente:


    "Nós não somos partes. A nossa essência é única."


    Isso não significa se apresentar do mesmo jeito em todos os contextos. Significa não precisar deixar pedaços de si para trás para parecer profissional, confiável ou competente.


    A imagem pessoal, nesse sentido, não é maquiagem social. É alinhamento.


    A imagem também fala de acolhimento (ou de distância)


    Durante a conversa, Denise chama atenção para algo que costuma passar despercebido: os elementos visuais também criam sensação. Textura, cor, material — tudo comunica.


    Ela exemplifica com uma blusa macia, de lã, que transmite acolhimento, e contrapõe com o preto, que pode trazer distância. Não como regra, mas como linguagem.


    O ponto não é "pode ou não pode usar". O ponto é perceber que a imagem pode aproximar ou afastar — e que, no digital, muitas pessoas buscam conexão antes de técnica.


    Como a própria Denise compartilha, ela já deixou de comprar cursos porque não conseguiu se conectar com quem estava do outro lado da tela. Não era falta de conteúdo. Era falta de vínculo.


    Imagem não é sobre se valorizar mais — é sobre facilitar o encontro


    Talvez uma das falas mais úteis para quem trabalha com serviços seja quando Denise diz que não vê a construção da imagem como uma forma de se colocar acima do outro.


    Ela propõe outro olhar:


    "Como eu posso facilitar a comunicação com essa pessoa que precisa do que eu faço?"


    Imagem, aqui, não é autopromoção. É serviço. É tornar mais fácil para alguém entender quem você é, como você trabalha e se aquilo faz sentido para ela.


    Quando a imagem parte desse lugar, ela deixa de ser vaidade e vira cuidado.


    Corpo, comparação e o olhar que aprendemos a ter


    A conversa também toca num ponto delicado: a relação das mulheres com o próprio corpo. Denise reconhece que, muitas vezes, o problema não é técnico — é o olhar.


    Ela diz que não adianta alguém de fora afirmar que está tudo bem se a pessoa não consegue se ver assim. Por isso, o trabalho não é impor aceitação nem reforçar padrões, mas respeitar o tempo e o caminho de cada uma.


    Ela deixa claro que não se trata de forçar exposição ou desconforto. Trata-se de oferecer suporte, escolhas e ferramentas, sem violência estética.


    Quebrar padrões também é um ato de coerência


    No final da conversa, fica evidente que construir imagem pessoal é, muitas vezes, quebrar padrões de forma intencional. Não para chamar atenção, mas para ser fiel.


    A Denise conta casos de mulheres que só conseguiram se reconhecer nas fotos quando a imagem passou a refletir quem elas são — e não quem disseram que deveriam ser. Em alguns casos, isso gerou emoção, alívio, até choro.


    Porque se ver de verdade é raro num mundo que insiste em moldes.


    No fim, a pergunta não é "como parecer", mas "como estar"


    Essa conversa mostra que imagem pessoal não termina numa foto bonita. Ela começa antes: na escuta, na coerência, na honestidade consigo mesma.


    Construir imagem não é criar um personagem. É parar de sustentar personagens que cansam.


    E talvez seja isso que mais faz diferença no digital hoje: quando alguém olha para você e sente que há alguém inteira ali — não uma performance.


    Para seguir pensando


    Se esse texto te atravessou, vale observar:


    • o que na sua imagem hoje aproxima — e o que distancia?
    • o que comunica quem você é — e o que apenas reproduz expectativa?

    Às vezes, um pequeno ajuste consciente já abre espaço para uma presença mais verdadeira.


    E, quando necessário, buscar apoio especializado pode ajudar a organizar esse processo com mais cuidado e menos pressão.


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