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    Como fazer um ritual de autocuidado no meu dia a dia?

    Stefanie Schmitt, Fernanda Orlando
    4 Jun 2025
    6 min

    Autocuidado possível: como cuidar de si mesma no dia a dia, mesmo sem tempo


    Falar sobre autocuidado parece simples — mas, na prática, especialmente para mulheres, nem sempre é.


    Entre trabalho, família, responsabilidades e a pressão constante para dar conta de tudo, cuidar de si acaba ficando para depois. E, muitas vezes, esse "depois" só chega quando o corpo e a mente já estão no limite.


    Neste bate-papo da Olhi sobre o tema, a terapeuta ancestral Fernanda Orlando falou sobre o que ela chama de "autocuidado possível" — aquele que cabe na rotina real, sem idealizações e sem cobranças irreais.


    Por que falar de autocuidado ainda é necessário


    O tema não é novo — mas continua urgente.


    A sobrecarga emocional, a ansiedade e o esgotamento fazem parte do cotidiano de muitas mulheres, que foram historicamente ensinadas a priorizar o cuidado com os outros antes de si mesmas.


    "A mulher acaba deixando para depois: depois eu faço, depois eu cuido, depois eu olho", explica Fernanda Orlando.


    O problema é que esse adiamento tem um custo.


    "Muitas vezes a mulher só vai atrás de algo quando já está no limite — ou quando já passou do limite."


    Por isso, falar de autocuidado não é sobre tendência ou estética. É sobre saúde, equilíbrio e sobrevivência emocional.


    O que é autocuidado possível na prática


    Quando se fala em autocuidado, é comum pensar em rotinas complexas, produtos caros ou práticas difíceis de manter. Mas, para Fernanda Orlando, esse não é o caminho.


    "Nem todo mundo consegue fazer algo diferente todos os dias. Nem todo mundo tem tempo ou dinheiro. Mas é possível se autocuidar dentro da sua realidade."


    O autocuidado possível é aquele que:


    • cabe no seu tempo
    • não depende de grandes recursos
    • faz sentido na sua rotina
    • pode ser repetido com consistência

    E, muitas vezes, ele está em gestos simples que passam despercebidos.


    "Às vezes, é prestar atenção no banho. A gente não lembra nem se lavou o pé direito."


    Esse retorno ao básico é também um retorno à presença.


    Pequenos rituais que ajudam no bem-estar


    Ao longo da conversa, Fernanda Orlando trouxe exemplos de práticas simples, acessíveis e que podem ser incorporadas no dia a dia.


    Uma das principais é o escalda-pés — uma prática ancestral que ajuda a relaxar o corpo e a mente.


    "Nossos pés têm várias terminações nervosas. Eles carregam a gente o tempo todo. Quando você para e coloca os pés na água, você relaxa o corpo inteiro."


    Segundo ela, o impacto não é só físico, mas também mental.


    "Você para. E isso já é muito, porque a mulher não consegue parar."


    Outras práticas possíveis incluem:


    • prestar atenção no banho, com intenção
    • fazer pausas conscientes ao longo do dia
    • sentir o corpo e a respiração
    • desacelerar mesmo que por poucos minutos

    São gestos simples, mas que ajudam a interromper o modo automático.


    O papel das ervas no cuidado diário


    Um dos diferenciais do trabalho de Fernanda Orlando é o uso de ervas e práticas naturais, inspiradas em saberes ancestrais.


    "As ervas eram o que a gente tinha antes. A medicina da terra é o que sempre existiu."


    Mesmo hoje, com acesso a medicamentos e tecnologias, essas práticas continuam sendo uma forma de cuidado complementar.


    Ela destaca que não é preciso nada sofisticado.


    "Você pode usar ervas que já tem em casa. Alecrim, manjericão, lavanda. Coisas simples."


    Essas ervas podem ser usadas de diferentes formas:


    • no escalda-pés
    • no banho
    • no travesseiro
    • em infusões leves

    "O manjericão, por exemplo, ajuda muito em casos de ansiedade."


    Mais do que a técnica, o importante é a intenção e a constância.


    Autocuidado não é estética — é escuta


    Um ponto importante da conversa foi a diferença entre autocuidado e estética.


    Hoje, grande parte do discurso sobre cuidado está associado a consumo — produtos, procedimentos, padrões.


    Mas isso não necessariamente resolve o que está por dentro.


    "Não adianta fazer um monte de procedimento estético se você não está bem internamente."


    O autocuidado, nesse sentido, começa com escuta.


    • Como eu estou me sentindo?
    • O que está me afetando?
    • Do que eu realmente preciso?

    Às vezes, essa resposta não vem fácil — e tudo bem.


    "Tem gente que não consegue falar. Só chora. E está tudo bem."


    Quando procurar ajuda faz diferença


    Nem sempre é possível lidar com tudo sozinha.


    Buscar apoio especializado — seja em terapia, em uma conversa ou em um atendimento — pode ser um ponto de virada.


    "Às vezes, a gente está em um lugar que não consegue enxergar saída. E alguém de fora consegue mostrar um caminho."


    No caso dos atendimentos com Fernanda Orlando, o processo começa pela escuta.


    "A gente começa com uma conversa, sem julgamento, para entender o que está acontecendo e o que pode ajudar."


    A partir disso, ela sugere práticas simples, personalizadas e possíveis de serem aplicadas no dia a dia.


    Voltar ao básico também é avançar


    Em um contexto de excesso de informação, consumo e exigência, o autocuidado possível é quase um movimento de retorno.


    Voltar ao corpo. Voltar ao tempo. Voltar ao que é simples.


    "Às vezes é tomar um sol, colocar o pé na terra, sentir o cheiro de uma erva."


    Pode parecer pouco — mas não é.


    Porque, no fim, cuidar de si não é sobre fazer mais.


    É sobre parar, perceber e, aos poucos, reconstruir a relação consigo mesma.


    Continue lendo


    → Como lidar com a sobrecarga emocional das mulheres?


    → Como aumentar a autoestima das mulheres?

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