Como fazer um ritual de autocuidado no meu dia a dia?
Autocuidado possível: como cuidar de si mesma no dia a dia, mesmo sem tempo
Falar sobre autocuidado parece simples — mas, na prática, especialmente para mulheres, nem sempre é.
Entre trabalho, família, responsabilidades e a pressão constante para dar conta de tudo, cuidar de si acaba ficando para depois. E, muitas vezes, esse "depois" só chega quando o corpo e a mente já estão no limite.
Neste bate-papo da Olhi sobre o tema, a terapeuta ancestral Fernanda Orlando falou sobre o que ela chama de "autocuidado possível" — aquele que cabe na rotina real, sem idealizações e sem cobranças irreais.
Por que falar de autocuidado ainda é necessário
O tema não é novo — mas continua urgente.
A sobrecarga emocional, a ansiedade e o esgotamento fazem parte do cotidiano de muitas mulheres, que foram historicamente ensinadas a priorizar o cuidado com os outros antes de si mesmas.
"A mulher acaba deixando para depois: depois eu faço, depois eu cuido, depois eu olho", explica Fernanda Orlando.
O problema é que esse adiamento tem um custo.
"Muitas vezes a mulher só vai atrás de algo quando já está no limite — ou quando já passou do limite."
Por isso, falar de autocuidado não é sobre tendência ou estética. É sobre saúde, equilíbrio e sobrevivência emocional.
O que é autocuidado possível na prática
Quando se fala em autocuidado, é comum pensar em rotinas complexas, produtos caros ou práticas difíceis de manter. Mas, para Fernanda Orlando, esse não é o caminho.
"Nem todo mundo consegue fazer algo diferente todos os dias. Nem todo mundo tem tempo ou dinheiro. Mas é possível se autocuidar dentro da sua realidade."
O autocuidado possível é aquele que:
- cabe no seu tempo
- não depende de grandes recursos
- faz sentido na sua rotina
- pode ser repetido com consistência
E, muitas vezes, ele está em gestos simples que passam despercebidos.
"Às vezes, é prestar atenção no banho. A gente não lembra nem se lavou o pé direito."
Esse retorno ao básico é também um retorno à presença.
Pequenos rituais que ajudam no bem-estar
Ao longo da conversa, Fernanda Orlando trouxe exemplos de práticas simples, acessíveis e que podem ser incorporadas no dia a dia.
Uma das principais é o escalda-pés — uma prática ancestral que ajuda a relaxar o corpo e a mente.
"Nossos pés têm várias terminações nervosas. Eles carregam a gente o tempo todo. Quando você para e coloca os pés na água, você relaxa o corpo inteiro."
Segundo ela, o impacto não é só físico, mas também mental.
"Você para. E isso já é muito, porque a mulher não consegue parar."
Outras práticas possíveis incluem:
- prestar atenção no banho, com intenção
- fazer pausas conscientes ao longo do dia
- sentir o corpo e a respiração
- desacelerar mesmo que por poucos minutos
São gestos simples, mas que ajudam a interromper o modo automático.
O papel das ervas no cuidado diário
Um dos diferenciais do trabalho de Fernanda Orlando é o uso de ervas e práticas naturais, inspiradas em saberes ancestrais.
"As ervas eram o que a gente tinha antes. A medicina da terra é o que sempre existiu."
Mesmo hoje, com acesso a medicamentos e tecnologias, essas práticas continuam sendo uma forma de cuidado complementar.
Ela destaca que não é preciso nada sofisticado.
"Você pode usar ervas que já tem em casa. Alecrim, manjericão, lavanda. Coisas simples."
Essas ervas podem ser usadas de diferentes formas:
- no escalda-pés
- no banho
- no travesseiro
- em infusões leves
"O manjericão, por exemplo, ajuda muito em casos de ansiedade."
Mais do que a técnica, o importante é a intenção e a constância.
Autocuidado não é estética — é escuta
Um ponto importante da conversa foi a diferença entre autocuidado e estética.
Hoje, grande parte do discurso sobre cuidado está associado a consumo — produtos, procedimentos, padrões.
Mas isso não necessariamente resolve o que está por dentro.
"Não adianta fazer um monte de procedimento estético se você não está bem internamente."
O autocuidado, nesse sentido, começa com escuta.
- Como eu estou me sentindo?
- O que está me afetando?
- Do que eu realmente preciso?
Às vezes, essa resposta não vem fácil — e tudo bem.
"Tem gente que não consegue falar. Só chora. E está tudo bem."
Quando procurar ajuda faz diferença
Nem sempre é possível lidar com tudo sozinha.
Buscar apoio especializado — seja em terapia, em uma conversa ou em um atendimento — pode ser um ponto de virada.
"Às vezes, a gente está em um lugar que não consegue enxergar saída. E alguém de fora consegue mostrar um caminho."
No caso dos atendimentos com Fernanda Orlando, o processo começa pela escuta.
"A gente começa com uma conversa, sem julgamento, para entender o que está acontecendo e o que pode ajudar."
A partir disso, ela sugere práticas simples, personalizadas e possíveis de serem aplicadas no dia a dia.
Voltar ao básico também é avançar
Em um contexto de excesso de informação, consumo e exigência, o autocuidado possível é quase um movimento de retorno.
Voltar ao corpo. Voltar ao tempo. Voltar ao que é simples.
"Às vezes é tomar um sol, colocar o pé na terra, sentir o cheiro de uma erva."
Pode parecer pouco — mas não é.
Porque, no fim, cuidar de si não é sobre fazer mais.
É sobre parar, perceber e, aos poucos, reconstruir a relação consigo mesma.
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→ Como lidar com a sobrecarga emocional das mulheres?
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