Logo Olhi
    JurídicoMaternidadeTrabalho

    Direitos da mulher no trabalho: o que fazer em casos de gravidez, licença maternidade e discriminação

    Stefanie Schmitt, Janayna Pereira
    11 Mar 2024
    6 min de leitura

    Entenda o que a lei garante e por que tantas mulheres ainda enfrentam problemas mesmo tendo direitos


    Descobrir uma gravidez costuma ser um momento de mudança. Mas, para muitas mulheres, essa transformação não acontece só na vida pessoal. Ela também começa a impactar o trabalho, e nem sempre de forma positiva.


    Neste bate-papo da Olhi sobre o tema, a advogada Janayna Pereira explica o que a legislação prevê, como a discriminação aparece na prática e o que fazer diante dessas situações.


    O que acontece com mulheres no trabalho após a gravidez


    A gravidez, que deveria ser um momento protegido, muitas vezes se torna um ponto de vulnerabilidade no ambiente profissional.


    Como explica Janayna, existe uma dificuldade real de aplicar, na prática, direitos que já estão garantidos. "Existe uma dificuldade de implementar isso na prática do direito do trabalho, especialmente porque o ambiente se torna um local muito tóxico".


    Esse cenário não é isolado. Dados mostram que mais da metade das mulheres que engravidaram ou saíram de licença maternidade passaram por alguma situação negativa na empresa.


    Essas situações nem sempre são explícitas. Muitas vezes aparecem em mudanças sutis, mas significativas, na forma como a mulher é tratada.


    Quais são as formas mais comuns de discriminação no trabalho


    Quando se fala em discriminação, é comum imaginar situações diretas. Mas, no cotidiano das empresas, ela costuma aparecer de forma mais velada.


    Entre os casos mais frequentes estão a exclusão de projetos, a substituição da profissional, a redução de responsabilidades e até mudanças salariais.


    Janayna explica que isso acontece de forma recorrente. "A mulher, quando retorna, as coisas já não são mais como eram antes".


    Esse tipo de comportamento muitas vezes é justificado por uma ideia social ainda muito presente: a de que a mulher, ao se tornar mãe, passa a ser menos disponível para o trabalho.


    Esse entendimento, mesmo não sendo explícito, influencia decisões e limita o crescimento profissional.


    Licença maternidade: quais são os direitos garantidos


    A licença maternidade é um dos direitos mais conhecidos, mas ainda gera dúvidas importantes.


    A legislação prevê, no mínimo, 120 dias de afastamento, que começam a contar a partir da alta hospitalar da mãe ou do bebê, o que ocorrer por último.


    Em alguns casos, esse período pode ser ampliado, especialmente quando a empresa participa de programas específicos ou quando há recomendação médica.


    Janayna destaca que esse direito não pode ser reduzido de forma indevida. Situações em que a licença é encurtada ou confundida com afastamentos anteriores não estão de acordo com a legislação.


    Mesmo assim, essas situações ainda acontecem, muitas vezes por falta de informação ou por decisões unilaterais da empresa.


    Posso ser demitida durante a gravidez?


    Uma das maiores preocupações de quem descobre a gravidez é a estabilidade no emprego.


    E, nesse ponto, a lei é clara. A estabilidade começa no momento em que a gravidez é confirmada.


    "A estabilidade se inicia no momento que a mulher confirma a gravidez", explica Janayna.


    Isso significa que a empresa não pode simplesmente desligar essa profissional sem uma justificativa legal válida. Caso isso aconteça, é possível buscar reintegração ao cargo ou indenização.


    Mesmo assim, muitos casos envolvem tentativas de desligamento disfarçadas, com justificativas frágeis ou situações que configuram abuso.


    O que fazer quando a empresa afasta ou prejudica a gestante


    Uma situação bastante comum é o afastamento da mulher após a comunicação da gravidez.


    Isso pode acontecer de forma direta ou indireta. Mudança de função, retirada de atividades ou até isolamento dentro da empresa.


    Nesses casos, é importante entender que nem todo afastamento é ilegal. Existem situações específicas, como risco à gestação, em que a mudança pode ser necessária.


    Mas, fora desses contextos, a prática pode configurar discriminação.


    Quando isso acontece, Janayna reforça que existem caminhos possíveis. A mulher pode buscar a Justiça do Trabalho para solicitar reintegração ou indenização, dependendo do caso.


    Vale a pena entrar na Justiça do Trabalho?


    Essa é uma dúvida recorrente. Muitas mulheres hesitam em buscar seus direitos por medo de desgaste, demora ou consequências profissionais.


    Janayna reconhece que esse receio é comum. Mas faz um alerta importante: "não judicializar não significa que o problema será resolvido mais rápido".


    Em muitos casos, a tentativa de resolver internamente se prolonga por meses, sem resultado. Enquanto isso, a situação continua.


    Mesmo com a possibilidade de demora, iniciar um processo significa dar um passo concreto na resolução do problema.


    Além disso, existem medidas que podem acelerar esse tipo de ação, especialmente quando envolvem maternidade e direitos fundamentais.


    Por que tantas mulheres não denunciam situações no trabalho


    Mesmo diante de situações claras de desigualdade, muitas mulheres ainda evitam denunciar.


    Isso não acontece por falta de entendimento, mas por um conjunto de fatores sociais.


    Janayna aponta que existe uma construção cultural que influencia esse comportamento. "A mulher já é direcionada para ouvir, entender e evitar conflito".


    Esse padrão faz com que, muitas vezes, a mulher relativize a própria situação ou hesite em agir, mesmo quando percebe que está sendo prejudicada.


    Esse movimento não está restrito a um tipo de trabalho ou classe social. Ele atravessa diferentes contextos e se repete em várias situações.


    Desigualdade salarial: o que mudou com a nova lei


    Além das questões ligadas à maternidade, a desigualdade salarial ainda é uma realidade no mercado de trabalho.


    Dados mostram diferenças significativas entre homens e mulheres, mesmo ocupando o mesmo cargo.


    Para enfrentar isso, a Lei da Igualdade Salarial trouxe novas exigências para as empresas, incluindo a obrigatoriedade de relatórios periódicos sobre salários.


    Quando identificada uma diferença injustificada, a empresa deve corrigir o valor e pode sofrer penalidades.


    Além disso, a mulher pode buscar indenização por danos morais, dependendo do caso.


    Como denunciar situações de discriminação no trabalho


    Nem sempre é fácil agir diante de uma situação de injustiça, especialmente quando envolve o próprio emprego.


    Mas existem caminhos possíveis.


    É possível utilizar canais internos da empresa, quando disponíveis, ou procurar o sindicato. Também é possível fazer denúncias ao Ministério do Trabalho, inclusive de forma anônima.


    Janayna destaca a importância desse movimento coletivo. Denunciar não é apenas uma ação individual, mas também uma forma de reduzir a repetição dessas situações.


    Entre direitos e realidade


    A legislação avançou, criou mecanismos de proteção e ampliou direitos importantes para as mulheres no trabalho.


    Mas a distância entre o que está na lei e o que acontece na prática ainda existe.


    Muitas mulheres continuam enfrentando situações de discriminação, especialmente em momentos de maior vulnerabilidade, como a gravidez.


    Falar sobre isso não é apenas entender direitos. É reconhecer que essas experiências não são isoladas.


    E, a partir desse reconhecimento, criar espaço para decisões mais conscientes, mais informadas e, principalmente, mais alinhadas com aquilo que cada mulher tem direito de viver no trabalho.


    Porque trabalhar no próprio negócio é importante. Mas ter controle sobre ele é o que sustenta tudo o que vem depois.


    Este artigo tem base em conversa que aconteceu ao vivo no Instagram da Olhi. Assistir no Instagram


    Continue lendo


    → Mulheres que empreendem: por que você precisa ter controle sobre sua própria empresa


    → Guarda compartilhada e pensão: como funcionam os direitos das mães após a separação


    → Como regularizar um negócio?

    Comentários

    Deixe seu comentário ou pergunta

    Nossa equipe lê e responde por aqui. Mas se quiser falar só com a gente, manda um whats.

    Seja a primeira pessoa a comentar.

    Este artigo tem base em conversa que aconteceu ao vivo no Instagram da Olhi. Assistir no Instagram

    Agende sua consulta agora com