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    Dor na relação sexual: por que não é normal e como tratar

    Stefanie Schmitt, Hermínia Mello
    7 Jun 2024
    8 min de leitura

    Entenda causas como vaginismo, vulvodínia e dispareunia e quando buscar ajuda


    Sentir dor durante a relação sexual ainda é tratado como algo comum por muitas mulheres. Muitas seguem a vida acreditando que aquilo "faz parte", que é só uma fase ou que o corpo funciona assim mesmo. Mas a dor não deveria estar presente em um momento que, em teoria, deveria ser de prazer e conexão.


    Quando esse tema não é falado, ele também não é tratado. E isso faz com que muitas mulheres convivam por anos com desconforto, culpa e até impacto emocional, sem saber que existem explicações e, principalmente, tratamento.


    O que pode causar dor na relação sexual


    A dor durante a relação pode ter diferentes origens, mas algumas condições aparecem com frequência e ainda são pouco conhecidas. Entre elas estão o vaginismo, a vulvodínia e a dispareunia.


    A fisioterapeuta pélvica Hermínia Mello explica que, embora tenham manifestações diferentes, essas condições têm algo em comum: a dor.


    "O vaginismo são contrações involuntárias do músculo da vagina. Essa disfunção dolorosa impede a penetração."


    Nesse caso, o corpo reage automaticamente, contraindo a musculatura e dificultando ou impedindo completamente a penetração. Muitas mulheres também enfrentam dificuldades em situações como exames ginecológicos ou uso de absorventes internos.


    Já a vulvodínia se apresenta de outra forma. A dor pode estar presente durante a relação, mas também fora dela, no dia a dia.


    "A vulvodínia apresenta dor durante a relação, mas também pode causar ardência, dor ao urinar e desconforto constante."


    A dispareunia, por sua vez, é caracterizada pela dor durante ou após a relação sexual, podendo variar de intensidade.


    Quando a dor vai além do momento íntimo


    Um ponto importante é entender que essas dores não ficam restritas ao momento da relação. Dependendo do quadro, o desconforto pode impactar outras áreas da vida.


    No caso da vulvodínia, por exemplo, o incômodo pode aparecer ao usar roupas mais justas ou até em atividades cotidianas simples.


    Esse tipo de experiência altera a relação da mulher com o próprio corpo, com o prazer e com a rotina. Com o tempo, isso pode levar a um afastamento das relações ou à perda do desejo.


    Por que muitas mulheres não procuram ajuda


    Mesmo diante do desconforto, é comum que a busca por tratamento demore. Isso acontece por diferentes motivos, incluindo falta de informação e normalização da dor.


    "Muitas mulheres chegam dizendo que passaram a vida toda com dor achando que era normal."


    Essa percepção não surge por acaso. Existe uma cultura que minimiza a dor feminina, especialmente quando ela está relacionada ao prazer e à sexualidade. Como resultado, muitas mulheres acabam ignorando sinais importantes do corpo.


    O impacto da dor na saúde emocional


    Conviver com dor constante não afeta apenas o corpo. Com o tempo, o impacto emocional também aparece.


    "Essas mulheres entram muitas vezes num quadro depressivo, porque ninguém pode passar a vida toda sentindo dor."


    A associação entre relação sexual e sofrimento pode levar à perda de desejo, à insegurança e ao afastamento de relações afetivas. Em alguns casos, a própria identidade e autoestima da mulher são impactadas.


    O papel da fisioterapia pélvica no tratamento


    A boa notícia é que essas condições têm tratamento, e a fisioterapia pélvica é uma das principais abordagens recomendadas.


    Segundo Hermínia, esse cuidado não depende necessariamente de encaminhamento médico, já que o profissional atua como primeiro ponto de contato.


    "A fisioterapia pélvica é a primeira linha de tratamento para essas disfunções."


    O trabalho envolve diferentes recursos, sempre respeitando o tempo e o limite de cada mulher. O processo é progressivo e pode incluir desde técnicas externas até intervenções mais específicas, conforme a paciente se sente segura.


    Por que o tratamento precisa ser integrativo


    Outro aspecto fundamental é que a dor na relação raramente tem uma única causa. Muitas vezes, fatores físicos e emocionais estão conectados.


    "O tratamento é multidisciplinar. A gente precisa caminhar junto com a psicologia, com a nutrição e com o ginecologista."


    Questões como tensão muscular, funcionamento intestinal, histórico emocional e experiências anteriores influenciam diretamente no quadro. Por isso, olhar para o corpo como um todo faz diferença no resultado.


    Quanto tempo leva para melhorar


    O tempo de tratamento varia de acordo com cada caso, mas não costuma ser imediato. É um processo que exige consistência e acompanhamento.


    "Em média, a gente fala de três a seis meses de tratamento, mas depende de cada caso."


    Mais do que rapidez, o foco está na recuperação da função e na construção de uma relação mais saudável com o próprio corpo.


    Cuidar do assoalho pélvico também é prevenção


    Assim como outras áreas do corpo, a musculatura do assoalho pélvico também precisa de atenção. Ainda que não haja dor, o acompanhamento pode ajudar na prevenção de problemas futuros.


    "O assoalho pélvico é músculo, e músculo perde função."


    Com o tempo, a falta de cuidado pode levar a outras disfunções, como incontinência ou até condições mais complexas. O acompanhamento preventivo permite identificar alterações antes que se tornem mais difíceis de tratar.


    Entre silêncio e cuidado, existe escolha


    Quando a dor é ignorada, ela não desaparece. Ela se adapta, se intensifica ou se transforma em outros impactos ao longo do tempo. O que muda o cenário é o momento em que a mulher reconhece que aquilo não precisa fazer parte da sua vida.


    A dor na relação sexual não é normal. E mais do que isso, ela não precisa ser permanente.


    Buscar informação, entender o próprio corpo e acessar o cuidado certo pode transformar completamente essa experiência. Porque, no fim, cuidar do corpo também é cuidar da forma como se vive o prazer, o afeto e a própria vida.


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