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    Oportunidades no turismo: como transformar pequenos negócios em experiências que geram renda

    Stefanie Schmitt, Luciane Quadro
    13 Mai 2024
    6 min de leitura

    Entenda por que o turismo está mudando e como empreendedoras podem aproveitar esse movimento


    Falar de negócio em momentos difíceis pode parecer deslocado. Mas, ao mesmo tempo, é justamente nesses contextos que muitas mulheres precisam continuar criando caminhos para gerar renda, sustentar seus projetos e encontrar novas possibilidades.


    No setor de turismo, essa tensão aparece com força. Ao mesmo tempo em que crises impactam diretamente viagens e deslocamentos, elas também abrem espaço para novos formatos, novas demandas e outras formas de empreender.


    É nesse ponto que a pergunta começa a fazer sentido: que oportunidades existem hoje no turismo, especialmente para quem está começando pequeno ou quer transformar o que já tem em um negócio?


    A partir da experiência da turismóloga Luciane Quadro, que há mais de vinte anos atua com desenvolvimento de negócios turísticos, fica claro que o setor não diminuiu — ele mudou.


    Como o turismo mudou depois da pandemia e das crises recentes


    O turismo sempre foi visto como algo grande, distante, quase inacessível para pequenos negócios. Mas esse cenário vem se transformando.


    Segundo Luciane, o que se abriu nos últimos anos foi um novo campo de possibilidades. "Eu enxergo hoje um lindo oceano azul pra gente", afirma, ao falar das oportunidades que surgiram mesmo em contextos desafiadores.


    A pandemia acelerou mudanças importantes no comportamento das pessoas. E, mais recentemente, eventos climáticos e instabilidades reforçaram essa transformação.


    As viagens deixaram de ser apenas grandes deslocamentos planejados com antecedência. Hoje, há uma busca maior por experiências mais próximas, mais curtas e mais conectadas com o momento de vida das pessoas.


    Por que as pessoas estão buscando microviagens e experiências próximas


    Uma das mudanças mais claras está na forma como as pessoas viajam.


    Luciane explica que há uma valorização crescente das chamadas microviagens. Pequenos deslocamentos, mais frequentes, que permitem sair da rotina sem grandes planejamentos.


    Esse movimento está diretamente ligado ao cansaço acumulado dos últimos anos. "As pessoas estão mais preocupadas em ter essas microviagens", observa.


    Mais do que viajar, existe uma necessidade de desconectar, de respirar e de acessar experiências que tragam algum tipo de alívio ou reconexão.


    E isso muda completamente o tipo de negócio que passa a ter espaço no turismo.


    Por que negócios simples podem se tornar oportunidades reais no turismo


    Quando se fala em turismo, ainda existe a ideia de grandes estruturas. Mas, na prática, muitas das oportunidades estão justamente no que é pequeno, local e possível de construir com poucos recursos.


    Luciane reforça que o ponto de partida não está no tamanho do negócio, mas na capacidade de observar o que já existe. "Às vezes você não precisa construir, nem ter altos investimentos, pra ter um turista feliz".


    Isso significa olhar para aquilo que já está disponível — um espaço, uma habilidade, uma produção local — e entender como isso pode se transformar em uma experiência.


    O turismo, nesse sentido, se aproxima muito mais do cotidiano do que parece.


    O que está em alta no turismo hoje: natureza, rural e sustentabilidade


    Entre as principais tendências, uma se destaca com clareza: a busca por conexão com a natureza.


    Luciane aponta que o turismo rural cresceu de forma consistente nos últimos anos e continua em expansão. "As pessoas valorizaram muito essa conexão com a natureza", explica.


    Isso inclui desde hospedagens simples até experiências ligadas ao campo, à produção de alimentos, ao contato com animais e à vivência de rotinas diferentes das grandes cidades.


    Além disso, a sustentabilidade deixou de ser um diferencial e passou a ser um critério de escolha.


    "Essa é uma das tendências que a gente vem observando", afirma Luciane ao falar sobre negócios que passaram a se organizar com mais consciência ambiental.


    Por que experiências valem mais do que estrutura


    Outro ponto central dessa transformação está na valorização da experiência.


    O turista deixou de ser apenas um espectador. Hoje, ele quer participar, aprender e se envolver com o que está vivendo.


    Luciane descreve esse movimento ao falar sobre o turismo de experiência. "Ele deixou de ser mero espectador, ele quer ser um participante disso".


    Isso abre espaço para uma série de possibilidades que vão muito além do tradicional.


    Oficinas, vivências, atividades práticas, contato com histórias locais e participação em processos são exemplos de como um negócio pode se diferenciar.


    E, muitas vezes, o que faz essa experiência ser memorável não é a estrutura, mas a forma como ela é construída.


    Como transformar o que você já tem em uma experiência turística


    Um dos pontos mais interessantes trazidos por Luciane é a ideia de olhar para o próprio negócio como um ponto de partida.


    "Ficar de olho naquele tesouro que você tem escondidinho", como ela diz, pode ser o primeiro passo.


    Esse "tesouro" pode ser uma habilidade, um conhecimento, um espaço ou até uma história.


    A partir disso, é possível construir experiências com apoio de outras pessoas. Parcerias, inclusive, são parte fundamental desse processo.


    Luciane dá exemplos claros de como isso acontece. Um sítio pode oferecer trilhas sem que o dono precise conduzi-las. Um produtor local pode integrar sua produção a uma experiência maior. Um artesão pode ensinar o que sabe.


    O turismo, nesse sentido, não é um negócio isolado. Ele se constrói em rede.


    O papel da cultura local e do artesanato no turismo


    Outro movimento importante é a valorização do que é local.


    Produtos regionais, gastronomia, tradições e artesanato passaram a ter um papel central nas experiências turísticas.


    Luciane destaca que as pessoas estão buscando esse tipo de conexão. "A valorização da produção regional está em alta".


    Mais do que comprar um produto, existe um interesse em entender como ele é feito, de onde vem e quem está por trás.


    Isso também cria espaço para novos formatos de renda, especialmente para quem já produz, mas ainda não enxerga seu trabalho dentro do turismo.


    Como estruturar um negócio turístico mesmo começando pequeno


    Apesar das oportunidades, Luciane chama atenção para a importância de estrutura.


    Ela trabalha com quatro pilares principais: organização do espaço, construção das experiências, marketing e inovação.


    Mas, antes de tudo, existe um ponto que mudou a forma de pensar os negócios: colocar o cliente no centro.


    "Colocar o turista no centro das decisões do negócio", explica, é o que permite construir experiências mais alinhadas com o que as pessoas realmente buscam.


    Isso evita investimentos desnecessários e direciona melhor o desenvolvimento do negócio.


    Por que adaptação virou a principal habilidade no turismo


    Ao final, uma ideia atravessa toda a conversa: a necessidade de adaptação.


    As mudanças recentes deixaram claro que o cenário pode mudar rapidamente. E isso exige flexibilidade de quem empreende.


    Luciane resume esse momento de forma direta. "Adaptar o que a gente faz de melhor também pras pessoas".


    Mais do que seguir um modelo pronto, o turismo hoje exige sensibilidade para observar o contexto, entender o comportamento das pessoas e ajustar o caminho.


    Entre crise e possibilidade


    O turismo é um dos setores mais impactados por crises. Mas também é um dos que mais se reinventam.


    Entre desafios e recomeços, surgem novas formas de empreender, mais conectadas com o território, com as pessoas e com o que realmente importa.


    Para quem está olhando de fora, pode parecer um setor distante. Mas, na prática, ele começa exatamente onde muitas vezes já existe algo acontecendo.


    E talvez o ponto de partida não seja criar algo novo, mas enxergar com outros olhos o que já está ali.


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