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    Como melhorar o sono do bebê?

    Julie Maciel, Andressa Peres
    9 Jul 2025
    6 min

    Entenda como a rotina, o ambiente e o dia do bebê impactam diretamente na qualidade do sono


    Dormir bem é um dos maiores desafios nos primeiros meses de vida de um bebê — e também um dos temas que mais geram insegurança nas famílias.


    Entre expectativas irreais, cansaço extremo e excesso de informações, muitas mães e pais acabam se perguntando: afinal, o que realmente ajuda o bebê a dormir melhor?


    Neste bate-papo da Olhi, a consultora do sono e de amamentação Andressa Peres explicou, de forma prática, como o sono do bebê funciona e quais ajustes podem fazer diferença no dia a dia das famílias.


    O sono do bebê não é como parece


    Existe uma ideia muito difundida de que bebês dormem a maior parte do tempo — e, de fato, isso pode até ser verdade no início. Mas a forma como esse sono acontece é bem diferente do que muitas famílias imaginam.


    "Dentro dessas 20 horas, muitas vezes a gente tá trocando a fralda e o bebezinho tá dormindo."


    Ou seja, não é um sono contínuo, profundo e previsível.


    Além disso, esse padrão muda rapidamente.


    "Quando a gente fala de recém-nascido, a gente tá falando só dos primeiros 28 dias de vida."


    Depois desse período, o sono começa a se transformar — e é aí que muitas dificuldades aparecem.


    A qualidade do sono começa durante o dia


    Um dos pontos mais importantes trazidos por Andressa é que o sono do bebê não se resolve apenas à noite.


    "A boa qualidade de sono da noite começa no dia."


    Isso significa que fatores como estímulo, rotina e interação ao longo do dia têm impacto direto no descanso noturno.


    Ela compartilha um exemplo real:


    "Ele não tava gastando energia suficiente… então à noite ele queria ficar acordado para gastar."


    Ou seja, um bebê que não tem estímulo adequado durante o dia pode ter mais dificuldade para dormir à noite.


    Rotina não é rigidez — é previsibilidade


    Quando se fala em rotina, muitas famílias imaginam horários rígidos e difíceis de cumprir. Mas não é disso que se trata.


    "A criança não tem essa percepção de horário… o que ela entende é a sequência de eventos."


    O mais importante não é fazer tudo exatamente no mesmo horário, mas criar uma previsibilidade.


    Por exemplo:


    • jantar
    • banho
    • momento de relaxamento
    • sono

    Essa sequência ajuda o bebê a entender o que vem a seguir — e isso traz segurança.


    Pequenas mudanças no dia podem transformar a noite


    Muitas vezes, a dificuldade no sono está relacionada a detalhes que passam despercebidos.


    No caso citado por Andressa, o bebê já tinha idade para mais interação, mas não estava recebendo estímulos adequados.


    "Ele queria que o pai sentasse, brincasse junto."


    A partir do momento em que a família ajustou a interação e os estímulos, o sono melhorou.


    Isso mostra que o sono não é um problema isolado — ele está conectado com toda a rotina da criança.


    O papel da rotina na redução do estresse


    A previsibilidade também ajuda a reduzir a ansiedade e o estresse do bebê.


    Quando há muitas mudanças inesperadas, o corpo responde.


    "Aumenta o cortisol e muitas vezes isso vai impactar no sono."


    Por isso, mesmo quando a rotina precisa ser adaptada, é importante comunicar — especialmente com crianças maiores.


    "É só comunicar que tá tendo uma alteração na rotina."


    Essa preparação ajuda a criança a se reorganizar emocionalmente.


    O que é higiene do sono (e por que isso importa)


    Outro conceito importante é o de higiene do sono — que envolve tudo aquilo que influencia o momento de dormir.


    Andressa explica que isso inclui hábitos e estímulos ao longo do dia e, principalmente, antes de dormir.


    Entre os pontos principais estão:


    • evitar telas antes de dormir
    • escolher músicas mais tranquilas
    • observar a alimentação
    • cuidar da iluminação do ambiente

    "A gente começa a preparar a criança para dormir antes de colocar ela na cama."


    Ou seja, o sono começa muito antes do momento de deitar.


    Alimentação também impacta o sono do bebê


    A forma como a criança se alimenta pode influenciar diretamente na qualidade do sono.


    "Se ela vai pesada pra cama, ela pode começar a despertar várias vezes."


    Por isso, o ideal é que a alimentação aconteça com antecedência, permitindo que o corpo faça a digestão.


    Além disso, alguns alimentos podem ajudar no relaxamento — enquanto outros estimulam mais.


    O ambiente faz diferença (e não precisa ser perfeito)


    Muitas famílias se preocupam em criar um ambiente completamente escuro ou silencioso — mas isso nem sempre é necessário.


    "Não precisa ser um breu total."


    O mais importante é criar um ambiente confortável e coerente com a rotina.


    • luz suave
    • menos estímulos visuais
    • sensação de segurança

    Durante o dia, inclusive, é importante que haja luz natural, para ajudar o bebê a diferenciar dia e noite.


    O ritual noturno: preparando o corpo para dormir


    O ritual noturno é uma das ferramentas mais importantes para melhorar o sono do bebê.


    "A gente começa no mínimo duas horas antes a preparar a criança para dormir."


    Esse momento pode incluir:


    • banho relaxante
    • leitura
    • música calma
    • contato com os pais

    "Proporcionar um ambiente onde a criança se sinta segura e consiga relaxar."


    Esse processo ajuda o corpo a entender que o momento de descanso está chegando.


    Cada família é única — e não existe fórmula pronta


    Um dos pontos mais importantes reforçados por Andressa é que não existe uma solução única.


    "Não é receita de bolo."


    Cada família tem uma rotina, um contexto e uma dinâmica própria — e tudo isso precisa ser considerado.


    Por isso, o acompanhamento individual faz diferença.


    Privação de sono dói — e você não precisa passar por isso sozinha


    Ao final do bate-papo, Andressa resume de forma direta um sentimento comum entre as famílias.


    "Privação de sono dói."


    Mas, ao mesmo tempo, ela reforça que existem caminhos possíveis.


    "Você não precisa ficar sentindo essa dor."


    Com informação, apoio e ajustes na rotina, é possível transformar a experiência do sono — para o bebê e para toda a família.


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