Por que contratar uma Consultora em Amamentação?
Entenda como a orientação certa pode evitar dor, insegurança e dificuldades no início da amamentação
A amamentação ainda é cercada por uma ideia muito comum: a de que tudo acontece de forma natural e instintiva. Mas, na prática, muitas mulheres descobrem que esse momento pode ser desafiador, doloroso e cheio de dúvidas.
Neste bate-papo da Olhi, a enfermeira e consultora em amamentação Flavia Baldin trouxe um olhar importante sobre o tema: a amamentação é um processo que envolve aprendizado, acompanhamento e, muitas vezes, apoio profissional.
Amamentar não é automático — e isso precisa ser dito
Um dos pontos mais importantes da conversa é justamente desconstruir a ideia de que amamentar é sempre simples.
"Existe mulher que na primeira mamada encaixa e vai. Mas é a minoria."
Segundo Flavia, a amamentação envolve dois fatores fundamentais: mãe e bebê. E essa relação precisa ser construída.
"São dois seres e a gente só vai saber se a mãe vai conseguir mesmo amamentar quando o bebê nasce."
Isso significa que cada experiência é única — e não deve ser comparada.
Por que contratar uma consultora em amamentação
A presença de uma consultora pode fazer toda a diferença, principalmente nos primeiros dias após o parto.
Flávia explica que o acompanhamento ajuda a preparar a mãe antes mesmo do nascimento do bebê:
"Na gestação, além de eu falar como se preparar, eu já oriento o que é normal e o que não é."
Esse preparo inclui:
- entender como o leite vem
- saber identificar sinais de alerta
- aprender o posicionamento correto
- reconhecer quando buscar ajuda médica
Ou seja, não se trata apenas de técnica, mas de segurança emocional e física.
Quando procurar ajuda: antes ou depois do bebê nascer?
Uma dúvida comum é sobre o momento certo para buscar uma consultora.
A resposta, segundo Flavia, é: quanto antes, melhor.
"É muito importante essa conversa na gestação."
Mas a maior demanda ainda acontece depois do parto, especialmente quando surgem dificuldades.
"80% do meu atendimento é no pós, quando a mãe está com fissura ou o bebê está perdendo peso."
Ainda assim, buscar orientação antes pode evitar grande parte desses problemas.
Dor na amamentação é normal?
Essa é uma das crenças mais perigosas — e mais comuns.
"Eu tenho casos de mães que estão mordendo fronha de travesseiro de tanta dor. E isso não é normal."
A amamentação não deve ser um momento de sofrimento.
Quando há dor intensa, geralmente há algo errado, como:
- pega incorreta do bebê
- posição inadequada
- excesso de pressão no mamilo
- uso inadequado de bomba ou acessórios
E é exatamente aí que entra o papel da consultoria.
O mito do leite fraco
Outra dúvida recorrente entre mães é a ideia de que o leite pode não ser suficiente.
"Não existe leite fraco."
Segundo Flavia, o que pode acontecer é a mulher ter baixa produção de leite — e isso pode ter causas específicas.
"Existe mulher que tem pouco leite."
Entre os fatores que podem influenciar estão:
- questões hormonais
- cirurgias mamárias
- condições como hipotireoidismo
- histórico gestacional
Ou seja, não é falta de capacidade — é um quadro que precisa ser avaliado com cuidado.
O peito não é só alimento
Um dos pontos mais interessantes do bate-papo é entender que a amamentação vai muito além da nutrição.
"O peito não é só alimento, é aconchego."
Para o bebê, o contato com a mãe é também:
- segurança
- vínculo
- regulação emocional
- conforto físico
"O bebê ficou meses dentro da barriga, num ambiente seguro. Aqui fora, ele precisa disso."
Por isso, a demanda constante não significa problema — muitas vezes, é parte do desenvolvimento.
A importância da rede de apoio
Amamentar não é uma responsabilidade que deve recair apenas sobre a mãe.
"A amamentação não é só da mãe. Ela precisa de uma rede de apoio."
Essa rede pode incluir:
- parceiro ou parceira
- familiares
- apoio profissional
- ajuda doméstica
Porque, para conseguir amamentar, a mulher também precisa ser cuidada.
"A mãe precisa dormir, comer, tomar banho."
Sem esse suporte, o processo se torna ainda mais difícil.
Informação errada ainda atrapalha — e muito
Mesmo com tantos avanços, ainda existem orientações antigas e incorretas sendo repassadas.
"Tem muita coisa que era feita antigamente que atrapalhava mais do que ajudava."
Flavia relata situações em que mães chegam com dúvidas baseadas em falas de familiares ou até de profissionais desatualizados.
"Muitas vezes não é maldade. É a informação que elas tinham."
Por isso, buscar orientação atualizada faz toda a diferença.
Consultoria é também acolhimento
Mais do que técnica, a consultoria em amamentação envolve escuta e acolhimento.
"Muitas vezes eu chego e a mãe desmorona, chora."
Esse momento exige sensibilidade — e não julgamento.
"Eu vou acolhendo e depois a gente fala da amamentação."
Essa abordagem ajuda a reduzir a ansiedade e permite que a mãe se reconecte com o processo.
Cada experiência é única — e tudo bem
Nem sempre a amamentação acontece como o esperado. E isso também precisa ser normalizado.
"Cada filho é uma experiência diferente."
Há casos em que a mãe não consegue amamentar exclusivamente — e isso não deve ser motivo de culpa.
"A fórmula não é vilã."
O mais importante é encontrar o caminho possível dentro da realidade de cada mulher.
Amamentar pode ser desafiador — mas não precisa ser solitário
Ao final do bate-papo, Flavia deixa uma mensagem importante para mães e gestantes:
"Não tenha medo. A amamentação precisa de conhecimento e apoio."
Com orientação adequada e uma rede de suporte, o processo pode se tornar mais leve, mais seguro e mais possível.
"Não é um bicho de sete cabeças."
E, quando o caminho se ajusta, a experiência pode ser transformadora.
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