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    Como superar um término?

    Stefanie Schmitt, Marta Lira
    10 Jun 2026
    6 min de leitura

    Entender por que dói tanto é um passo importante para transformar o fim de um relacionamento em um processo de reconstrução.


    Poucas experiências mexem tanto com a gente quanto o fim de um relacionamento. Mesmo quando a decisão parece certa, é comum sentir um vazio difícil de explicar, perder o interesse pelas atividades do dia a dia ou até experimentar sintomas físicos. Por isso, a pergunta "como superar um término?" costuma aparecer acompanhada de outras dúvidas: por que dói tanto? Quanto tempo essa dor dura? Como saber se eu realmente superei?


    Segundo a psicóloga Marta Lira, especializada em relacionamentos, a resposta começa por reconhecer que um término não representa apenas o fim de uma relação amorosa. Ele também marca o encerramento de uma rotina, de expectativas e de um lugar que aquela pessoa ocupava na nossa vida.


    Como ela explica, "o término é um processo de luto". E, como todo luto, precisa ser vivido.


    Por que terminar um relacionamento pode doer tanto?


    Quem nunca passou por isso costuma imaginar que basta seguir em frente. Mas, para quem está vivendo essa experiência, a sensação pode ser muito mais profunda.


    Marta explica que o sofrimento nem sempre está ligado apenas à pessoa que foi embora. Muitas vezes, o que dói é aquilo que o relacionamento representava.


    Uma relação pode ocupar diferentes funções emocionais. Pode ser o lugar onde alguém se sentia acolhido, valorizado, visto ou seguro. Quando esse vínculo acaba, não é apenas a presença da outra pessoa que desaparece. Também desaparece a sensação que ela despertava.


    É por isso que, muitas vezes, quem está de fora não entende a intensidade da dor.


    Como Marta resume, "não foi a pessoa, não foi o relacionamento em si, mas o que aquele término gerou para aquela pessoa".


    Em muitos casos, o fim do relacionamento também desperta feridas antigas, como sentimentos de rejeição, abandono ou a crença de que o amor sempre precisa ser conquistado com sofrimento. Por isso, duas pessoas podem viver situações parecidas e reagir de formas completamente diferentes.


    Superar um término começa quando você para de fugir da dor


    Existe uma tendência muito comum de tentar acelerar o processo. Algumas pessoas mergulham no trabalho, outras procuram um novo relacionamento rapidamente ou fingem que está tudo bem.


    Para Marta, esse costuma ser um dos maiores erros.


    "A gente precisa passar por ela, porque o término é um processo de luto."


    Negligenciar essa dor não faz com que ela desapareça. Pelo contrário. Segundo a psicóloga, sentimentos reprimidos podem reaparecer mais tarde de forma ainda mais intensa.


    Permitir-se viver esse momento não significa permanecer preso ao sofrimento, mas reconhecer que existe uma perda que precisa ser elaborada. Aos poucos, a intensidade diminui e abre espaço para uma reconstrução que acontece de dentro para fora.


    O que fazer quando parece que sua vida girava em torno do relacionamento?


    Durante a conversa, Marta chama atenção para uma situação muito frequente. Muitas pessoas acabam deixando a própria vida em segundo plano enquanto estão em um relacionamento.


    Os programas, os planos e até os hobbies passam a existir apenas em função do casal. Quando o relacionamento termina, surge a sensação de que não sobrou nada.


    É justamente nesse momento que começa um movimento importante de voltar para si.


    "Esse é o momento para você voltar para si."


    Retomar interesses antigos, descobrir novos hobbies, praticar atividade física ou experimentar experiências diferentes não são formas de esquecer alguém rapidamente. São maneiras de reconstruir uma identidade que não dependa exclusivamente da relação que terminou.


    Segundo Marta, "supere vivendo".


    Por que continuar acompanhando a vida do ex dificulta a superação?


    Depois de um término, é comum surgir a curiosidade de saber como a outra pessoa está. Basta abrir uma rede social para alimentar a esperança de encontrar algum sinal de saudade ou arrependimento.


    Mas esse hábito costuma produzir o efeito contrário.


    Marta recomenda evitar esse contato, mesmo que isso signifique bloquear temporariamente o ex nas redes sociais.


    "Tudo que você puder fazer pelo seu cuidado pessoal nesse processo tão difícil, você vai fazer em prol do seu amor próprio."


    A comparação constante faz com que qualquer avanço emocional seja interrompido. Uma simples foto pode reabrir uma ferida que já começava a cicatrizar, alimentando interpretações que nem sempre correspondem à realidade.


    Em vez de acompanhar a vida do outro, o foco precisa voltar para a própria reconstrução.


    Como saber se você realmente superou um término?


    Uma das dúvidas mais comuns de quem está vivendo esse processo é entender quando a superação acontece de verdade.


    Para explicar isso, Marta faz uma comparação simples com uma cicatriz física.


    No início existe dor intensa. Depois vêm momentos de melhora, pequenas recaídas e lembranças que ainda incomodam. Tudo isso faz parte da cicatrização emocional.


    O sinal de que a ferida finalmente cicatrizou não é esquecer o que aconteceu.


    É lembrar sem sofrer.


    Como explica Marta, "quando você lembra e não sente mais dor, isso é fato".


    A história continua existindo, mas deixa de controlar as emoções e as escolhas do presente.


    O amor próprio muda a forma como nos relacionamos


    Ao longo de toda a conversa, um tema aparece repetidamente: o amor próprio.


    Para Marta, ele não é um conceito abstrato nem um discurso motivacional. É um fator que influencia diretamente a maneira como cada pessoa escolhe seus relacionamentos e enfrenta os términos.


    "Amor próprio não é clichê, é poder."


    Quando alguém aprende a reconhecer o próprio valor, deixa de buscar no outro aquilo que deveria construir em si mesmo. O relacionamento deixa de preencher uma falta e passa a ser um espaço de troca.


    Nas palavras da psicóloga, "eu não preciso, mas eu quero. Eu já sou essa mulher inteira."


    Essa mudança também altera o tipo de vínculo que tende a ser construído dali em diante, porque escolhas mais conscientes costumam nascer de um processo de autoconhecimento mais profundo.


    Quando procurar ajuda psicológica?


    Sofrer após um término é esperado. O problema surge quando essa dor impede a pessoa de seguir vivendo.


    Se o sofrimento permanece intenso por muito tempo, interfere no trabalho, no sono, na alimentação, na rotina ou faz com que padrões de relacionamento se repitam constantemente, pode ser o momento de buscar apoio profissional.


    Para Marta, a terapia ajuda não apenas a superar o fim de um relacionamento, mas também a compreender as raízes emocionais que tornam algumas perdas tão difíceis.


    Mais do que aliviar a dor do presente, esse processo permite construir relações futuras com mais consciência e menos repetição de padrões.


    No fim, superar um término não significa apagar uma história. Significa conseguir olhar para ela sem que ela continue determinando quem você é. Como lembra Marta, "o que acabou foi o relacionamento. A sua vida, não."


    Se você sente que precisa desse apoio, conheça profissionais da área de saúde mental prontos para caminhar com você.


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