Cuidar sustenta a sociedade, mas quem sustenta o cuidado?
Quando falamos de gênero e raça, os números deixam claro que o trabalho do cuidado no Brasil não é distribuído de forma igual.
Hoje, 45% das pessoas que atuam em serviços do cuidado são mulheres negras, enquanto mulheres brancas representam 31% e homens, negros ou brancos, apenas 24% (MDS/SNFC, 2023).
Esses dados não são coincidência. Eles revelam como a interseccionalidade — a combinação de fatores como gênero, raça e classe — aprofunda desigualdades históricas no país.
Por razões sociais, econômicas e estruturais, as mulheres negras seguem sendo as principais responsáveis pelo trabalho do cuidado e doméstico, ocupando funções essenciais para o bem-estar coletivo, mas também as mais desvalorizadas social e economicamente.
Se este texto incomoda, é porque ele aponta uma contradição central da nossa sociedade: quem sustenta o cuidado é quem menos recebe reconhecimento por seu trabalho.
Está mais do que na hora de mudar isso, não acha?
Para entender a dimensão econômica por trás dessa desigualdade, leia O mercado da economia do cuidado.
Comentários
Deixe seu comentário ou pergunta
Nossa equipe lê e responde por aqui. Mas se quiser falar só com a gente, manda um whats.
Gostou do conteúdo?