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    Falta de libido é normal? Entenda como a sexualidade muda em cada fase da vida

    Stefanie Schmitt, Fabi
    8 Abr 2024
    6 min de leitura

    Desejo sexual, cansaço e mudanças do corpo: por que sua sexualidade não é fixa e o que observar


    A sensação de "não estar mais na fase" ou de perder o desejo sexual aparece com mais frequência do que parece. Muitas mulheres olham para si mesmas e se perguntam se isso é normal, se algo está errado ou se simplesmente faz parte da vida.


    Ao mesmo tempo, existe uma pressão silenciosa. De um lado, a ideia de que a sexualidade deveria estar sempre ativa. Do outro, o peso do cansaço, da rotina e das múltiplas responsabilidades que atravessam o cotidiano.


    Nesse cenário, entender como a sexualidade se transforma ao longo da vida deixa de ser uma curiosidade e passa a ser uma forma de cuidado.


    Neste bate-papo da Olhi sobre o tema, a terapeuta corporal e sexóloga Fabi explica que a sexualidade não é um ponto fixo. Ela acompanha as fases da vida, o contexto e tudo aquilo que atravessa o corpo e a experiência de cada mulher.


    Por que a sexualidade faz parte do bem-estar


    Falar de sexualidade ainda causa estranhamento em muitos contextos, como se fosse um tema separado da saúde. Mas, na prática, ela está diretamente conectada ao bem-estar íntimo.


    Fabi chama atenção para isso ao explicar que "a nossa sexualidade, o bem-estar íntimo, influencia em todos os outros setores da nossa vida".


    Quando essa área não está bem, surgem dúvidas que se espalham para outras dimensões. A mulher passa a questionar sua relação, sua autoestima, sua forma de estar no mundo.


    Isso acontece porque saúde não é apenas ausência de doença. "Saúde não é ausência de doença, mas é um pleno funcionamento de todas as funções biológicas", explica.


    Nesse sentido, a sexualidade não é um detalhe. Ela faz parte desse funcionamento mais amplo do corpo e da vida.


    Como a sexualidade muda ao longo das fases da vida


    Uma das principais ideias trazidas por Fabi é que não existe uma única forma de viver a sexualidade. Ela muda com o tempo.


    Na adolescência, existe uma fase de descoberta e exploração do próprio corpo. Na vida adulta, entram outros fatores, como trabalho, relações, maternidade e responsabilidades.


    Com o passar dos anos, o corpo também se transforma. Há mudanças hormonais, alterações na lubrificação e outras questões físicas que influenciam diretamente a experiência.


    E, ainda assim, isso não significa perda de sexualidade.


    Fabi destaca que cada fase traz uma nova forma de viver o desejo. "O que a gente pode esperar da nossa sexualidade é que ela vai ter uma característica a cada fase da nossa vida".


    O problema começa quando essas mudanças são interpretadas como perda ou falha, e não como transformação.


    Não ter vontade é normal ou é um sinal de alerta?


    Essa é uma das dúvidas mais comuns. E a resposta não é simples.


    Fabi é direta ao dizer que a ausência de desejo não é necessariamente natural no sentido de ser inevitável. "Não é natural", explica, mas pode estar relacionada a diferentes fatores.


    Entre eles, estão mudanças hormonais, mas também o contexto de vida. O acúmulo de funções, o cansaço e a sobrecarga emocional têm um impacto direto sobre a libido.


    A chamada "tripla jornada", que inclui trabalho, cuidado e responsabilidades familiares, aparece como um fator importante nesse processo.


    Além disso, existe uma dimensão social que influencia a forma como a mulher se percebe.


    Fabi traz um exemplo forte ao falar sobre mulheres que cresceram ouvindo que, após certa idade, não deveriam mais sentir desejo. Em um dos relatos que compartilha, uma mulher mais velha interpretava o próprio desejo como algo errado, porque não tinha repertório para entender aquilo como parte da sua vitalidade.


    Essa construção ainda aparece, de formas diferentes, no cotidiano.


    O impacto do contexto atual na libido e nas relações


    A diminuição do desejo não acontece apenas em uma fase específica da vida. Ela também está ligada ao momento histórico.


    Fabi aponta que, hoje, existe uma combinação de fatores que afetam a forma como as pessoas se relacionam com a sexualidade.


    O uso excessivo de redes sociais, a comparação constante e a idealização de corpos e relações criam um cenário em que a experiência real parece sempre insuficiente.


    Além disso, aplicativos e novas formas de interação mudaram a forma como as pessoas se conectam.


    "A gente consegue se relacionar e deixar de se relacionar numa velocidade muito grande", explica.


    Isso diminui o esforço nas relações e, com o tempo, pode reduzir também o interesse e o envolvimento.


    A alimentação, o estilo de vida e o consumo de conteúdos também entram nessa equação, influenciando diretamente a libido.


    Por que a comparação atrapalha a forma como você vive sua sexualidade


    Um dos pontos mais delicados é a comparação.


    Muitas mulheres não se comparam apenas com outras pessoas, mas com versões anteriores de si mesmas.


    Fabi chama atenção para isso ao dizer que essa comparação pode ser injusta. "Vai ser muito injusto se eu fizer isso comigo", explica ao falar sobre olhar para a própria sexualidade em fases diferentes da vida.


    Cada momento tem suas características, seu ritmo e suas possibilidades.


    Tentar manter um padrão fixo, ou repetir uma experiência de outra fase, pode gerar frustração e afastamento ainda maior do próprio corpo.


    Como o corpo revela o que a mente não percebe


    Um dos caminhos trazidos por Fabi é o olhar para o corpo como forma de compreensão.


    Na abordagem tântrica, o corpo não é separado da mente. Ele é uma forma de expressão do que está acontecendo.


    "O corpo conta pra gente o que ele está sentindo", explica.


    Em muitos casos, a pessoa acredita que não tem desejo, mas, ao entrar em contato com o próprio corpo, percebe sinais diferentes.


    Em outros, acontece o contrário. A pessoa diz que está bem, mas o corpo mostra tensão, bloqueio ou dificuldade de se soltar.


    Essa escuta do corpo permite acessar camadas que nem sempre aparecem na fala.


    O que fazer quando a sexualidade deixa de fazer sentido


    Quando a sexualidade começa a incomodar, o primeiro movimento não precisa ser o de corrigir ou forçar uma mudança.


    Fabi sugere um caminho mais simples: observar.


    "Se te incomoda, você se movimenta em relação ao que você está buscando".


    Isso significa entender o que está acontecendo, sem julgamento e sem comparação automática.


    Existem diferentes formas de cuidado possíveis. Terapias corporais, acompanhamento especializado e espaços de escuta podem ajudar a reorganizar essa relação.


    Mas o ponto de partida é perceber se aquilo faz sentido para você.


    Entre o que dizem e o que você sente


    A sexualidade não segue uma linha reta. Ela muda, oscila e se reorganiza ao longo da vida.


    Entre o que é esperado socialmente e o que cada mulher sente, existe um espaço que nem sempre é fácil de ocupar.


    Mas é justamente nesse espaço que a sexualidade deixa de ser um padrão e passa a ser uma experiência.


    E, quando isso acontece, a pergunta deixa de ser "isso é normal?" e passa a ser outra:


    o que faz sentido para mim agora?


    Continue lendo


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    → Autoconhecimento íntimo feminino: por que conhecer seu corpo muda sua vida

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