Qual o limite do açúcar para as crianças?
Entenda os limites e como formar um paladar saudável desde cedo
A dúvida é comum, principalmente em momentos como a Páscoa ou aniversários: afinal, crianças podem comer doces? Existe um limite seguro? E o que acontece quando o açúcar entra cedo demais na alimentação?
Para responder essas perguntas, conversamos com a nutricionista materno-infantil Neilane Louvise, que acompanha famílias desde a gestação até a infância — e explica por que esse tema vai muito além do "pode ou não pode".
"O açúcar é altamente viciante — e interfere diretamente na formação do paladar da criança."
Por que não é recomendado dar açúcar antes dos 2 anos
A principal orientação de entidades de saúde é clara: evitar açúcar nos primeiros anos de vida.
Segundo Neilane, isso tem um motivo central.
"Até os dois anos, a criança está formando o paladar. Se você introduz açúcar, ela passa a preferir o doce e rejeitar outros alimentos."
O problema não é apenas o açúcar em si, mas o efeito que ele gera na construção do gosto alimentar.
Na prática, isso pode levar a:
- rejeição de alimentos naturais, como frutas e legumes
- preferência por alimentos ultraprocessados
- dificuldade na introdução alimentar
- maior risco de seletividade alimentar
Além disso, o açúcar também está associado a outros impactos importantes.
"Você traz muitos malefícios, como a criança não aceitar comida de verdade e o risco de obesidade infantil."
Mas proibir totalmente não gera mais desejo?
Essa é uma preocupação comum entre mães e pais.
E a resposta da especialista é equilibrada.
"Não é sobre negar. É sobre não apresentar antes da hora."
Ou seja, o ponto não é criar uma relação de proibição rígida, mas evitar a introdução precoce.
Segundo ela, há uma diferença importante:
- antes de conhecer, a criança não sente falta
- depois que conhece, pode começar a preferir
"A criança não quer o doce se ela ainda não sabe o que é."
E isso muda completamente a dinâmica.
Depois dos 2 anos: existe uma quantidade segura?
Sim, mas ela é pequena — e muitas vezes subestimada.
"Após os 2 anos, pode-se oferecer até 25 g de açúcar por dia."
Isso equivale aproximadamente a:
- 5 a 6 colheres de chá pequenas
Mas há um detalhe importante: não é qualquer açúcar.
A recomendação é priorizar versões mais naturais, como:
- mel
- açúcar de coco
E, ainda assim, com moderação.
O problema não é o doce — é a frequência
Um ponto central trazido por Neilane é que o impacto está muito mais na repetição do que no consumo pontual.
"Um doce isolado não vai fazer mal. O problema é quando vira rotina."
Por exemplo:
- um pedaço de bolo em uma festa → ok
- doces diários → risco real
Essa distinção ajuda a tirar o peso da culpa e trazer mais clareza para as escolhas.
A relação com o doce também é cultural
Outro fator importante é o contexto social.
"O doce é muito associado ao afeto. Nossos avós chegavam com uma balinha, isso faz parte da cultura."
Ou seja, não é apenas uma questão nutricional.
É também:
- tradição
- vínculo emocional
- comportamento aprendido
Por isso, o desafio não é eliminar completamente, mas ajustar a forma como esse alimento aparece na rotina.
Existe alternativa ao açúcar para crianças?
Sim — e muitas.
Segundo a especialista, é possível oferecer experiências doces sem recorrer ao açúcar refinado.
"Você pode fazer um 'sorvete' com fruta congelada ou usar banana com cacau para criar doces naturais."
Outras opções incluem:
- frutas naturalmente doces
- receitas caseiras com ingredientes naturais
- preparações adaptadas para crianças
A ideia não é retirar o prazer, mas ressignificar a forma de oferecer.
Introdução alimentar: o momento mais importante
Grande parte da relação com a comida começa nos primeiros meses.
"A introdução alimentar não tem restrição. Você deve apresentar o maior número possível de alimentos."
Inclusive alimentos considerados alergênicos, como:
- amendoim
- camarão
- ovo
Isso ajuda a:
- identificar possíveis alergias
- ampliar o repertório alimentar
- reduzir a seletividade no futuro
"Quanto maior a variedade de alimentos, menor a chance da criança se tornar seletiva."
E quando a criança não gosta de um alimento?
Isso é mais comum do que parece — e, na maioria das vezes, faz parte do processo.
"A criança vai ter preferências, assim como nós temos."
O ponto-chave é não desistir.
"Você não pode parar de ofertar."
Mesmo que a criança rejeite no início, a repetição, sem pressão, ajuda na aceitação ao longo do tempo.
Quando a seletividade vira um problema
Se a criança cresce com um repertório alimentar muito limitado, pode ser necessário acompanhamento.
"Quando o paladar já está formado, pode ser necessário um trabalho mais estruturado para reintroduzir alimentos." Nesse caso, contar com orientação nutricional pode fazer a diferença.
Esse processo pode envolver:
- mudanças na apresentação dos alimentos
- acompanhamento profissional
- trabalho com comportamento alimentar
No fim, é sobre construção — não controle
A alimentação infantil não se resolve com regras rígidas ou proibições extremas.
Ela se constrói ao longo do tempo, com consistência, variedade e intenção.
"Você não precisa negar tudo. Mas também não precisa apresentar tudo."
Esse equilíbrio é o que permite que a criança:
- conheça os alimentos
- desenvolva autonomia
- construa uma relação saudável com a comida
Quer apoio na alimentação do seu filho?
Na Olhi, você pode conversar com nutricionistas que acompanham desde a introdução alimentar até questões mais complexas, como seletividade e comportamento alimentar. Ter orientação especializada nesse momento faz toda a diferença.
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→ Como ter uma boa relação com os doces?
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