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    Qual o limite do açúcar para as crianças?

    Stefanie Schmitt, Neilane Louvise
    23 Abr 2025
    5 min

    Entenda os limites e como formar um paladar saudável desde cedo


    A dúvida é comum, principalmente em momentos como a Páscoa ou aniversários: afinal, crianças podem comer doces? Existe um limite seguro? E o que acontece quando o açúcar entra cedo demais na alimentação?


    Para responder essas perguntas, conversamos com a nutricionista materno-infantil Neilane Louvise, que acompanha famílias desde a gestação até a infância — e explica por que esse tema vai muito além do "pode ou não pode".


    "O açúcar é altamente viciante — e interfere diretamente na formação do paladar da criança."


    Por que não é recomendado dar açúcar antes dos 2 anos


    A principal orientação de entidades de saúde é clara: evitar açúcar nos primeiros anos de vida.


    Segundo Neilane, isso tem um motivo central.


    "Até os dois anos, a criança está formando o paladar. Se você introduz açúcar, ela passa a preferir o doce e rejeitar outros alimentos."


    O problema não é apenas o açúcar em si, mas o efeito que ele gera na construção do gosto alimentar.


    Na prática, isso pode levar a:


    • rejeição de alimentos naturais, como frutas e legumes
    • preferência por alimentos ultraprocessados
    • dificuldade na introdução alimentar
    • maior risco de seletividade alimentar

    Além disso, o açúcar também está associado a outros impactos importantes.


    "Você traz muitos malefícios, como a criança não aceitar comida de verdade e o risco de obesidade infantil."


    Mas proibir totalmente não gera mais desejo?


    Essa é uma preocupação comum entre mães e pais.


    E a resposta da especialista é equilibrada.


    "Não é sobre negar. É sobre não apresentar antes da hora."


    Ou seja, o ponto não é criar uma relação de proibição rígida, mas evitar a introdução precoce.


    Segundo ela, há uma diferença importante:


    • antes de conhecer, a criança não sente falta
    • depois que conhece, pode começar a preferir

    "A criança não quer o doce se ela ainda não sabe o que é."


    E isso muda completamente a dinâmica.


    Depois dos 2 anos: existe uma quantidade segura?


    Sim, mas ela é pequena — e muitas vezes subestimada.


    "Após os 2 anos, pode-se oferecer até 25 g de açúcar por dia."


    Isso equivale aproximadamente a:


    • 5 a 6 colheres de chá pequenas

    Mas há um detalhe importante: não é qualquer açúcar.


    A recomendação é priorizar versões mais naturais, como:


    • mel
    • açúcar de coco

    E, ainda assim, com moderação.


    O problema não é o doce — é a frequência


    Um ponto central trazido por Neilane é que o impacto está muito mais na repetição do que no consumo pontual.


    "Um doce isolado não vai fazer mal. O problema é quando vira rotina."


    Por exemplo:


    • um pedaço de bolo em uma festa → ok
    • doces diários → risco real

    Essa distinção ajuda a tirar o peso da culpa e trazer mais clareza para as escolhas.


    A relação com o doce também é cultural


    Outro fator importante é o contexto social.


    "O doce é muito associado ao afeto. Nossos avós chegavam com uma balinha, isso faz parte da cultura."


    Ou seja, não é apenas uma questão nutricional.


    É também:


    • tradição
    • vínculo emocional
    • comportamento aprendido

    Por isso, o desafio não é eliminar completamente, mas ajustar a forma como esse alimento aparece na rotina.


    Existe alternativa ao açúcar para crianças?


    Sim — e muitas.


    Segundo a especialista, é possível oferecer experiências doces sem recorrer ao açúcar refinado.


    "Você pode fazer um 'sorvete' com fruta congelada ou usar banana com cacau para criar doces naturais."


    Outras opções incluem:


    • frutas naturalmente doces
    • receitas caseiras com ingredientes naturais
    • preparações adaptadas para crianças

    A ideia não é retirar o prazer, mas ressignificar a forma de oferecer.


    Introdução alimentar: o momento mais importante


    Grande parte da relação com a comida começa nos primeiros meses.


    "A introdução alimentar não tem restrição. Você deve apresentar o maior número possível de alimentos."


    Inclusive alimentos considerados alergênicos, como:


    • amendoim
    • camarão
    • ovo

    Isso ajuda a:


    • identificar possíveis alergias
    • ampliar o repertório alimentar
    • reduzir a seletividade no futuro

    "Quanto maior a variedade de alimentos, menor a chance da criança se tornar seletiva."


    E quando a criança não gosta de um alimento?


    Isso é mais comum do que parece — e, na maioria das vezes, faz parte do processo.


    "A criança vai ter preferências, assim como nós temos."


    O ponto-chave é não desistir.


    "Você não pode parar de ofertar."


    Mesmo que a criança rejeite no início, a repetição, sem pressão, ajuda na aceitação ao longo do tempo.


    Quando a seletividade vira um problema


    Se a criança cresce com um repertório alimentar muito limitado, pode ser necessário acompanhamento.


    "Quando o paladar já está formado, pode ser necessário um trabalho mais estruturado para reintroduzir alimentos." Nesse caso, contar com orientação nutricional pode fazer a diferença.


    Esse processo pode envolver:


    • mudanças na apresentação dos alimentos
    • acompanhamento profissional
    • trabalho com comportamento alimentar

    No fim, é sobre construção — não controle


    A alimentação infantil não se resolve com regras rígidas ou proibições extremas.


    Ela se constrói ao longo do tempo, com consistência, variedade e intenção.


    "Você não precisa negar tudo. Mas também não precisa apresentar tudo."


    Esse equilíbrio é o que permite que a criança:


    • conheça os alimentos
    • desenvolva autonomia
    • construa uma relação saudável com a comida

    Quer apoio na alimentação do seu filho?


    Na Olhi, você pode conversar com nutricionistas que acompanham desde a introdução alimentar até questões mais complexas, como seletividade e comportamento alimentar. Ter orientação especializada nesse momento faz toda a diferença.


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