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    Qual o impacto da alimentação na depressão?

    Julie Maciel, Vanessa Moreira
    30 Jul 2025
    6 min

    Entenda como a nutrição pode influenciar os sintomas da depressão — e por que ela não substitui o cuidado completo


    A relação entre alimentação e saúde mental tem ganhado cada vez mais atenção. Entre dúvidas sobre suplementos, dietas e o papel do intestino, muitas pessoas buscam respostas diretas: o que comer pode melhorar a depressão?


    Neste bate-papo da Olhi, a nutricionista clínica Vanessa Moreira trouxe um ponto essencial para começar essa conversa: a alimentação não causa a depressão, mas pode influenciar — e muito — a forma como os sintomas se manifestam e evoluem.


    Alimentação influencia a depressão?


    A resposta não é simples — e nem deve ser simplificada.


    "O que a gente come ou deixa de comer não causa a depressão."


    Segundo Vanessa, a depressão envolve fatores genéticos e ambientais. No entanto, a alimentação pode atuar como um agravante ou um apoio no tratamento.


    "Se a gente se alimenta mal, se tem deficiência de alguns nutrientes, isso pode piorar os sintomas."


    Ou seja, não se trata de causa, mas de influência. Uma alimentação desequilibrada pode intensificar sintomas como cansaço, desânimo e dificuldade de concentração — elementos que já fazem parte do quadro depressivo.


    O papel dos nutrientes no funcionamento do corpo e do humor


    A alimentação não é apenas fonte de energia. Ela também participa diretamente da regulação do organismo.


    "Os nutrientes são super importantes para a regulação do nosso organismo e inclusive do humor."


    Algumas vitaminas e nutrientes são especialmente relevantes nesse contexto, como:


    • vitamina B12
    • vitamina D
    • ômega-3

    Esses elementos participam de processos ligados ao sistema nervoso, à inflamação e ao funcionamento cerebral. Quando estão em níveis inadequados, podem impactar diretamente o bem-estar.


    Intestino e cérebro: qual é a relação?


    A ideia de que o intestino é um "segundo cérebro" se popularizou — mas precisa ser entendida com mais precisão.


    "O intestino produz cerca de 90% da serotonina."


    No entanto, essa serotonina não atua no cérebro. Ela é utilizada nas funções intestinais.


    "Ela é usada ali no intestino, não como neurotransmissor no cérebro."


    Então por que o intestino ainda é tão importante?


    Porque ele é responsável pela absorção dos nutrientes necessários para a produção de neurotransmissores no corpo. Quando o intestino não está funcionando bem, esse processo é comprometido.


    Suplementação: ajuda ou atrapalha?


    Diante da popularização dos suplementos, surge uma dúvida comum: vale a pena tomar vitaminas por conta própria?


    A resposta é clara.


    "É importante ter uma orientação antes."


    A suplementação pode ser necessária — mas precisa ser individualizada. Sem avaliação, a pessoa pode:


    • consumir doses inadequadas
    • mascarar deficiências reais
    • não atingir níveis efetivos
    • até ter efeitos colaterais

    Mesmo suplementos considerados "naturais" exigem cuidado.


    "O ômega-3, por exemplo, pode provocar complicações em cirurgias."


    Por isso, o acompanhamento profissional é fundamental.


    Alimentação não substitui tratamento


    Um ponto importante do bate-papo é evitar uma ideia comum, especialmente na internet: a de que a alimentação sozinha resolve quadros de depressão.


    "A depressão tem outras questões muito importantes envolvidas."


    O tratamento, na maioria dos casos, envolve uma abordagem multiprofissional:


    • acompanhamento médico
    • apoio psicológico
    • ajustes na alimentação
    • rede de apoio

    A nutrição entra como parte desse cuidado — não como solução isolada.


    O impacto da depressão na alimentação


    Existe também um movimento inverso: a própria depressão afeta a forma como a pessoa se alimenta.


    "Muitas vezes as pessoas não conseguem se alimentar bem."


    Falta de apetite, cansaço extremo e dificuldade de realizar tarefas simples podem levar à negligência alimentar.


    Por isso, o suporte da família e das pessoas próximas é essencial.


    "Não é preguiça, não é frescura."


    A alimentação, nesse contexto, precisa ser tratada com cuidado e compreensão.


    Por onde começar: cuidar do intestino


    Entre as recomendações práticas, Vanessa destaca um ponto central: a saúde intestinal.


    "O intestino é onde acontece a absorção dos nutrientes."


    Um intestino desregulado pode comprometer todo o processo nutricional e ainda gerar inflamações e sintomas digestivos.


    Sinais de atenção incluem:


    • constipação frequente
    • diarreia recorrente
    • inchaço abdominal
    • gases excessivos
    • alterações no aspecto das fezes

    Esses sinais indicam que algo não está funcionando bem.


    O que evitar e o que priorizar na alimentação


    A recomendação não é seguir dietas restritivas, mas ajustar a base da alimentação.


    "Quanto mais natural possível."


    Alguns princípios importantes:


    ✔ Priorizar:


    • frutas
    • legumes
    • verduras
    • alimentos minimamente processados

    ✔ Reduzir:


    • alimentos ultraprocessados
    • produtos com conservantes e corantes
    • excesso de açúcar e gordura

    Essa mudança ajuda a reduzir inflamações e melhora a absorção de nutrientes.


    Existe uma alimentação ideal para todos?


    Existe uma base comum — mas não uma regra única.


    "Cada pessoa é única."


    A pirâmide alimentar pode servir como referência, indicando:


    • maior consumo de água e alimentos naturais
    • consumo moderado de carboidratos e proteínas
    • consumo reduzido de gorduras e doces

    Mas a aplicação prática precisa considerar a rotina, os hábitos e o contexto de cada pessoa.


    Pequenas mudanças já fazem diferença


    Um ponto importante é entender que a mudança não precisa ser radical.


    "Eu não costumo cortar alimentos."


    O objetivo é criar equilíbrio.


    • melhorar a qualidade da alimentação
    • ajustar quantidades
    • respeitar a rotina
    • construir hábitos possíveis

    Esse processo tende a ser mais sustentável e eficaz no longo prazo.


    Cuidar da alimentação é também cuidar de si


    Ao final do bate-papo, fica uma mensagem que vai além da nutrição.


    "Você não está sozinho."


    Buscar informação, entender o que está acontecendo no corpo e procurar ajuda são passos importantes — e possíveis.


    "Se permita ser cuidado."


    A alimentação faz parte desse cuidado. Não resolve tudo, mas pode melhorar muito o caminho.


    Continue lendo


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