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    Como fazer a maternidade não acabar com a sexualidade?

    Stefanie Schmitt, Aline Serafim
    7 Mai 2025
    6 min

    Maternidade e sexualidade: como manter o prazer vivo (sem culpa e sem pressão)


    Domingo é Dia das Mães — e talvez por isso pareça "provocativo" falar de sexualidade agora. Mas a verdade é simples: sexualidade é saúde. E, para muitas mulheres, a maternidade mexe (muito) com o corpo, a autoestima, a rotina, a energia e a forma de se relacionar.


    Neste bate-papo da Olhi, a Aline (sexóloga e profissional disponível no app) trouxe uma visão prática e acolhedora sobre como a maternidade pode impactar a sexualidade — e, principalmente, como recuperar o caminho de volta para o prazer.


    Por que a maternidade costuma impactar a sexualidade?


    Aline explica que, quando a mulher se torna mãe, ela frequentemente "assume a versão mãe" e, sem perceber, vai apagando outras versões de si: a mulher sensual, a parceira, a profissional, a pessoa que sente desejo.


    E não é por falta de amor, nem por "frescura". É por uma combinação real de fatores:


    • culpa ("eu deveria estar focada só no bebê / na casa / em todo mundo")
    • tabus e crenças sobre o corpo materno
    • sobrecarga mental e física
    • mudanças no corpo e na identidade
    • queda de prioridade da intimidade (que vai ficando "para depois")

    Aline nomeia uma crença que muitas de nós já ouvimos (ou sentimos por dentro):


    "Quando nasce uma mãe, morre uma mulher."


    E a proposta dela é justamente o contrário: uma coisa não anula a outra.


    "Sexualidade não é só sexo" — e isso muda tudo


    Uma virada importante do papo é esta: muitas pessoas pensam que sexualidade = relação sexual. E não é.


    Aline lembra que sexualidade tem a ver com:


    • autoestima e identidade
    • comunicação e vínculo
    • prazer, sensações e presença no corpo
    • emoções e equilíbrio emocional
    • energia vital ("libido" como energia de vida)
    • criatividade, disposição e até performance no trabalho

    Ou seja: cuidar da sexualidade não é "luxo". É base de bem-estar — especialmente para quem vive a intensidade da maternidade.


    O conceito de "microêxtases": prazer em pequenas doses, todos os dias


    Uma das ideias mais marcantes da Aline é o que ela chama de microêxtases: pequenos rituais de bem-estar íntimo e reconexão com o corpo no cotidiano.


    Ela explica assim: o orgasmo é um ápice (um êxtase). Mas, no dia a dia, dá para criar micropicos de prazer que reacendem o corpo — e isso, aos poucos, devolve o caminho para o desejo.


    E o segredo não é "fazer mais coisas". É fazer o que você já faz com presença e intenção.


    Exemplo prático (muito simples e muito poderoso)


    Passar hidratante pode ser automático… ou pode virar reconexão.


    • sinta a pele
    • perceba o aroma
    • respire com calma
    • massageie com atenção (inclusive o ventre)

    Aline chama o ventre de um "portal importante" — e lembra que, depois da gestação, muitas mulheres param de tocar a barriga: por estranhamento, cicatriz, mudanças no corpo, peso, desconforto. Voltar a tocar com cuidado é um gesto de retorno.


    Microêxtase é isso: você volta para o corpo — e o corpo volta a sentir.


    "Estou desconectada há anos. Como recomeçar?"


    Aline fala algo essencial: para muitas mulheres, o corpo fica adormecido. Por isso, começar "lá do fim" (ex.: já pensando em desempenho sexual) costuma gerar pressão e frustração.


    O começo real é outro:


    1) Se autorizar


    Muitas mulheres não se dão permissão de sentir prazer. Acham supérfluo.


    Aline é direta: não é luxo, é direito.


    2) Treinar presença em coisas pequenas


    Porque, se a vida está no automático, a intimidade também vai estar.


    • tomar banho sentindo a água e a pele
    • tomar café prestando atenção no aroma, temperatura e sabor
    • comer algo gostoso com calma, presente

    Isso "treina" corpo e mente para sentir — e sentir prazer.


    3) Reconectar com memórias boas


    Ela sugere lembrar, com gentileza, de momentos em que foi bom e gostoso. Não para comparar, mas para lembrar o corpo: "eu sei voltar."


    "Nunca senti prazer / nunca tive orgasmo": e agora?


    Aline traz um ponto importante: às vezes a mulher acha que nunca teve orgasmo porque tem uma referência irreal, baseada em vídeo, relato ou expectativa.


    Por isso, no trabalho com uma sexóloga, uma pergunta-chave é:


    "O que é prazer para você?"


    "O que é orgasmo para você?"


    A partir daí, a jornada começa pelo mesmo princípio: presença, permissão e reconexão com o corpo — sem cobrança.


    E um lembrete essencial:


    sexualidade não é só penetração. E sexo não é só um tipo de roteiro.


    E quando a maternidade afeta a atração pelo parceiro (ou parceira)?


    Sim, isso aparece muito: "Depois que virei mãe, não sinto mais atração".


    Aline sugere olhar para algo bem concreto: admiração, parceria e sobrecarga.


    Muitas vezes, a perda de desejo está ligada a:


    • comunicação ruim
    • ressentimento acumulado
    • sensação de estar "sozinha" na carga mental
    • falta de cuidado, atenção e parceria no cotidiano

    Ela usa uma metáfora para explicar o desejo feminino:


    • a mulher tende a ser mais como fogão a lenha (precisa de contexto, tempo e elementos)
    • o homem tende a ser mais como micro-ondas (liga mais rápido)

    A solução não é "forçar vontade". É tratar a raiz: rotina, vínculo, comunicação e divisão de carga.


    Como funciona um atendimento com sexóloga?


    Aline explica que o atendimento é um espaço de:


    • acolhimento e reserva total
    • identificação de "bloqueios invisíveis" (muitas vezes a mulher nem percebe)
    • trabalho com comunicação e relacionamento
    • abordagens mais completas (neurociência, terapias integrativas, reprogramações emocionais, rituais)

    E pode envolver acompanhamento entre sessões (ela comentou inclusive o uso de suporte 24h com uma ferramenta/assistente, como apoio no processo).


    O principal: não é só "conversa sobre sexo". É um cuidado amplo sobre bem-estar, corpo, emoções e vínculo.


    Para as mães (e futuras mães): a mensagem final


    Se você está entrando na maternidade, Aline deixa um recado claro:


    Não se desconecte da sua versão mulher.


    Porque, quando você cuida da sua intimidade e do seu bem-estar, você ganha mais recursos emocionais para sustentar todas as outras versões — inclusive a maternidade.


    E a dica mais prática para começar hoje:


    pegue recortes do seu dia e esteja presente neles.


    Sem adicionar tarefas. Sem virar mais uma cobrança. Apenas trazendo você de volta para você.


    Quer ajuda para o seu caso, do seu jeito?


    Se esse tema bateu em algum ponto sensível — falta de desejo, dor, culpa, vergonha, desconexão, dificuldade de conversar com o parceiro(a) — um atendimento individual pode ajudar muito, porque sempre existe uma especificidade.


    A Aline atende online e está disponível no app da Olhi. Se você quiser, pode agendar e conversar com segurança e acolhimento.


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